Pages

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Testando o amor (?)

Peço previamente desculpas a quem eu inevitavelmente vá ofender. Não é a minha intenção. Mas te convido a refletir comigo sobre aquilo que vou falar, não porque estou completamente certa, mas porque talvez eu te traga uma visão que você nunca tenha percebido.

Em meio a tantos novos relacionamentos, a tantas mudanças e possibilidades que se desenham conforme a sociedade vai se percebendo, a ideia de construir algo com quem se ama permanece sendo atrativa e aos que estão apaixonados, torna-se mais um destino do que um sonho. Apesar de todas as mudanças do mundo, a instituição mais antiga de todas continua a ter seu appeal. O casamento é ainda a conclusão óbvia, para a maioria, que ama.

Mas o casamento muito mais do que uma festa, um enlace, um documento, é como eu disse, uma instituição. Institui-se que duas pessoas se amam a ponto de aceitarem seus defeitos, suas qualidades e decidirem que não importando o balanço do mar, as tempestades e as ressacas, querem estar juntos. Crescer juntos. Construir juntos. Passar por essa vida tendo o outro como o principal suporte, amigo, companheiro e algo sem nome que significa o misto de enxugar lágrimas, de tirar do sério, arrancar as gargalhadas mais idiotas, te ver no seu dia mais maravilhoso e no seu pior dia, fazer massagem contra cólicas ou ter a permissão de te ajudar nos dias de vômitos, diarreias e outras coisas grotescas do ser humano.

Casamento é uma instituição com nuances diversas, mas sempre de amor e cuidado. Sempre de trabalho e dedicação. Sempre de aconchego e espaço.

Então me incomoda que sejamos tão simplistas e tão metódicos com algo que não tem regras. Não há padrão. O que quero dizer? Bem, me refiro a algo que vejo se repetir muito que é essa ideia de que antes de casar deve-se testar para saber se dará certo: morar junto. Tenho plena convicção que existem casais que moram juntos e são muito mais casados do que outros que tem papel passado. Veja bem, não falo de morar junto o ato, mas a ideia de que esta seja uma condição racional e pré-casamento.

Quando supõe-se que você vai testar, está muito explícita a ideia de que você pode concluir que está ruim. Foi engano. Trocar, querer outro. Perde-se todo o sentido de construção e estabilidade. Perde-se o foco de que quando você decide viver sua vida com alguém, pode inevitavelmente ter sido um erro, mas devemos procurar o acerto. 100%. Há quem diga que não existe uma pessoa só para nós, não existe alma gêmea. Concordo, não existe, mas isso não significa que a pessoa que escolhi não possa ser a única com quem eu viva. E ser feliz com isso.

Testar me dá a terrível sensação de exame. De ser aprovado ou não. E será que você pode ser testado? Seus sentimentos, dias ruins, teimosias, defeitos. Qual pode ser sua nuance para que alguém te defina como um erro? Conviver é a coisa mais difícil do mundo. Mudar e se adaptar diariamente. Quando você casa com plena certeza de que aquela é a pessoa, se faz claro que você quer entender e enfrentar os dilemas. Não se constrói nada forte e edificado sem quebrar algumas rochas, errar uns sustentos, recomeçar uma parede. Mas continuar, corrigindo aqui e ali, mas continuar. Não se constrói nada muito forte com testes. Testes são abandonados ao ter suas conclusões: bom ou ruim. Pronto para a outra.

Me ofende que alguém que eu ame me olhe e não tenha a certeza se sou suficiente a ponto de me sugerir um teste. “Te amo, mas talvez você não seja assim tão bom”. “Te amo, mas não me arrisco”. “Te amo, mas sabe como é”. Bem, você sabe como é, pode haver alguém melhor no caminho. Que desastre. Talvez você durma da maneira errada. Talvez você deixe a pia da louça na pia de um dia para o outro. Ou largue a roupa suja no chão do banheiro. Ou não faça a cama quando se levantar.

Ignoramos que todos possuem defeitos, procura-se defeitos que eu conviva por mais tempo ou invés de procurar qualidades que eu queira por perto. Quando se quer testar acaba com toda a qualquer reserva daquilo que o poeta disse ser um mergulho no escuro. Não, mergulhar não, eu entro aos pouquinhos e conforme a minha predisposição.

Criamos relações frias, sem entrega, sem disposição para o cuidado e a dedicação. Quero muito meu espaço e o meu jeito e  esqueço de abrir espaço também e aceitar o jeito do outro. Ao “morar junto”, sem as amarras e sem a disposição de ser melhor todo dia, resumimos uma decisão para a vida toda em uma decisão que vá até a minha paciência. Perdemos a chance incrível de perceber que há mais depois, que há consertos e há reparos. E há relações que ficam ainda melhores depois das pequenas aparadas dos fios soltos.

Testar é uma pré-disposição de construir um relacionamento descartável com alguém que considero potencialmente descartável. Um possível acerto, uma probabilidade matemática, um zero decidindo em qual lado vai ficar. Numa briga, pego uma mala e desfiz os laços. Passo os dias pesando prós e contras, qualquer coisa feita se torna um possível tópico numa lista. A decisão não é feita a partir  da minha vontade de crescer e construir uma vida em comum com o outro, mas na hipocrisia de uma balança de benefícios.

Testar, me parece a pior maneira de se começar uma relação que mais do que status e mais do que estado, deve ser uma instituição.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Primavera Secundarista e o inverno social

Uma aluna do Paraná foi até a tribuna do Estado discursar. Embora suas ideias não concordem com as minhas sobre os meios, acredito que temos o mesmo objetivo. Estudantes secundaristas, eu acredito na intenção de vocês. No apelo de vocês. Acho importante e especial que tenhamos espaço de discussão desde cedo. Os estudos diversos sobre educação mundial apontam que o ensino médio(não necessariamente com este termo) PRECISA ser um espaço reflexivo. Voltado ao senso crítico. Eu concordo. Não se faz cidadãos sem base crítica e retórica, não se faz reflexão sem conhecimento. Precisamos de prática e até mesmo de guia. Mas, eu me entristeço em dizer que vocês tem ao lado de vocês esferas da sociedade que querem abusar de suas iniciativas. Aprendi que ainda não temos condições de fazermos movimentos sem bandeira, sem partido. Vocês estão sendo influenciados e/ou incentivados por bandeiras, por pontos de vistas que não podem deixar de ser políticos e partidários.

 Há provas contundentes na história mundial apontando que certos movimentos sociais incitam a estruturação de um modelo falido de sociedade. Um modelo utópico que ignora os desejos individuais de cada um de nós. Um modelo em que NUNCA uma estudante estaria sendo recebida pelo seu Estado para ter suas palavras ouvidas. Nem sequer apenas assistidas. Um modelo que iguala por baixo, incentivando ainda mais uma divergência entre população e Estado. Vocês deveriam saber disso, está no currículo ensinar a formulação e os conceitos dos estados socialistas e capitalistas. O segundo tem problemas, MUITOS problemas, mas em comparação ao socialismo ele é um paraíso. Não precisa concordar comigo, mas compare. Compare a história. Pense na realidade do ser humano, em seus desejos, seus estímulos, naquilo que nos move.

 Ao assistir sua par discursando o que mais me incomodou entre suas muitas divergências comigo, foi a ideia de que o Estado foi responsável pela morte do estudante Lucas. Ela citou o ECA, alegando que o Estado é responsável. Mas preciso dizer que vocês muito se enganam quando transferem essa responsabilidade. O estudante estava num local de responsabilidade do Estado, porém, ao ocuparem esse espaço voluntariamente, em comunhão, vocês também expulsaram a presença do Estado. A presença de policiamento, por 'n' motivos, foi impossibilitada. Vocês disseram "não" a presença e ao cuidado do Estado. Poderiam estar pedindo apenas a não proibição, a não intervenção, mas uma consequência disto, foi ter para vocês todo o espaço e responsabilidade do que acontece ali. O aluno estava consumindo junto com seu assassino substâncias ilícitas. Novamente, voluntariamente. E a briga que levou ao óbito também ocorreu em decorrência dessa droga. Não culpe o Estado por uma instabilidade que o espaço ocupado de vocês permitiu, que a falta de segurança e controle permitiu. Que a falta de líderes e responsáveis permitiu.

A sociedade sente a morte de suas crianças e adolescentes e sofre por isso, mas não a acuse injustamente querendo isentar o movimento de vocês do que ocorreu. Somos responsáveis pelas nossas atitudes. Somos responsáveis, ainda que fora de uma esfera criminal, por aquilo que cabe a nos escolher. E vocês escolheram, ainda que por um motivo nobre, se colocarem em perigo. Vocês estavam cientes disto. Somos animais. E quando colocados sob pressão em circunstâncias estressantes, ainda mais quando usamos de substâncias que nos tiram de nosso total controle mental, longe dos olhos da lei, estamos criando problemas para nós mesmos.

A responsabilidade é de todos vocês que se colocaram ali, de quem teve a ideia, de quem estava liderando, de quem estava incentivando. Principalmente dos adultos que estavam envolvidos e não se importaram com a segurança de vocês! Principalmente dos adultos que deveriam estar zelando pelo respeito às leis ainda dentro desse espaço. E por fim, a responsabilidade foi dos dois envolvidos que além de todos esse viés, além de usar de uma droga sintética se permitiram entrar em confronto um com o outro como meros animais e não racionais. O Estado não estava ali dentro porque vocês mesmos o tinham expulsado.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quem é o meu Deus?

Ele tem vários nomes. Ele é espírito. O alfa e o ômega. O único. Onipresente,  onisciente. O princípio e o fim.

No mais,  ele é Deus. Gosto da descrição que diz que Deus não precisa de mim. Pelo contrário, eu preciso dEle. Você precisa dEle.

O meu Deus é bondoso,  misericordioso,  maravilhoso, Grande, benigno,  soberano.  Ele é Pai,  mãe, irmão mais velho.

Por que Ele nos criou? Bem, porque Ele criou todas as coisas e viu que era bom. Criou em sete dias. SETE Dias do tempo dEle, não desse nosso que conta a partir de um relógio e de um ciclo de 365 dias. Mas depois de criar tudo aquilo,  Ele não tinha quem usufruísse, quem compartilhasse de Sua grandeza,  de suas maravilhas. Então Deus nos criou.

Enxergo a decisão de Deus em nós criar como a decisão de um casal de ter filhos. Ele queria ensinar, nos amar, nos ver crescer e ser feliz. Queria compartilhar da nossa vida. Deus, para mim, é Paternal. Maternal. 

Ele,  com certeza,  não é um pai contemporâneo. Ele não é o Pai que faz vista grossa aos erros dos filhos ou que dá tudo de mãos dadas sem que o filho se esforce. Ele não é o Pai que vai passar a mão na cabeça do filho nas coisas em que ele erra. Ao meu ver, Deus pode até nos proteger daqueles que querem nos denegrir,  agredir ou desmoralizar. Mas se estamos errados,  Deus conversa sério conosco e diz que estamos errados e que não podemos continuar no erro. Ele não nos humilha e tampouco dá castigos absurdos.

Deus é o Pai que permite que a gente lide com as consequências de nossas escolhas. Escolhas essas que Ele nos permitiu ter. Ele, enquanto pai e mãe, não quer nos forçar a amá-lo. Ele nos ama e espera que façamos o mesmo de forma espontânea e verdadeira. Deus não te segue pedindo para ser visto, Ele espera que você perceba todas as coisas que Ele faz por você e sua vida. Ele acompanha seus passos,  te levanta e cura suas feridas, mas muitas vezes faz isso através de terceiros.  Porque Ele não quer te colocar na situação de precisar reconhecê-lo, te impedindo de escolher e te impondo a presença dEle. Deus é tão maravilhoso que ele não faz nada esperando reconhecimento. De nós Ele quer amor sincero.  Amor de um filho ao seu pai. Gratidão dada e não exigida.

Deus não é o pai que vai te tirar da balada a força. Pelo contrário,  ele dirá que tudo é permitido, mas que você precisa saber o que te convém. E o que me convém é aquilo que não vai deixar meu Pai decepcionado comigo.

Como um bom pai, devemos a Ele temor.  Respeito. E Ele é nossa segurança,  refúgio e sentido. Como com uma mãe recorremos a Ele com lágrimas nos olhos,  pedindo colo. Pedindo consolo.  Quando temos intimidade com Ele entendemos Sua maneira de nos enxergar e a esse mundo. Entendemos suas ações para nossa vida. Entendemos que mesmo quando Nos priva de algo que queremos, Ele tem um ato de amor.

Se alguém fala mal de seu pai/mãe, ainda mais quando não é justo,  você se revolta. Ainda que Deus diga "filhinho, não faça isso, dê a outra face. Não cabe a você essa luta.  Apenas me ame e me deixe te amar". Deus conhece nosso íntimo porque uma mãe conhece aos que ela carregou tanto tempo em sua barriga e ainda mais tempo em seu coração. Deus nos ensinou com zelo nossas habilidades. Querendo que fizéssemos com elas o bem uns aos outros e nos ajudasse a viver no mundo.

Deus não quer que briguemos com nossos irmãos. E não precisa que irmão denuncie irmão. Não precisa que irmão julgue a pena do irmão. Ele fará isso no tempo correto,  com os motivos corretos e com a justiça que só cabe a Ele. Porque nossos pais sabem avaliar melhor quem somos e o quanto seguimos os seus conselhos e obedecemos suas ordens. Mas no dia em que nosso Pai for ter a conversa derradeira, não haverá mais chances para segundas chances e quem não O temeu e não O reconheceu não poderá entrar em Sua casa e se sentar ao Seu lado. Naquele momento Deus dirá que também já não te quer mais.

Deus dá ordens. Deus nos alerta. Deus nos aconselha. Não nos obriga, mas nos diz o que vai nos afastar de Seus caminhos, o que vai enfraquecer a confiança que tem em nós e o que vai magoá-lO.

O meu Deus, o mesmo Deus que abriu o mar para salvar seus filhos e curou os leprosos, também incendiou cidades e limpou a terra com o dilúvio. Deus não erra. Mas um pai também se revolta quando não obedecemos e só fazemos coisas que O envergonha.

Deus não está dormindo. Deus não está ausente. Não não está lavando Suas mãos. O meu Deus está presente e vivo. Ele ouve e responde aqueles que colocam seus ouvidos atentos. Ele cuida e observa. Ele afaga nossas feridas. Mas Deus não chegará a quem O rejeita porque respeita a escolha feita. Deus não põe uma roupa colorida e pula no mundo fazendo shows pirotécnicos porque Deus não é um pai que envergonhe Seus filhos e nem escolhe o destino no lugar deles.

O meu Deus espera. E em troca de tudo que Ele faz, Ele pede que eu, enquanto isso, não faça nada que Ele não faria.

Não é fácil agir como nosso Pai/Mãe,  mas devemos sempre seguir o Seu exemplo e tentar melhorar.  Cientes de que os filhos que estiverem fiéis aos seus pais,  estarão mais perto daquele presente maravilhoso e tão aguardado que foi prometido. O melhor de todos.

Não sei quem é o Seu Deus. Não sei como você enxerga o meu. Mas meu Deus não faz mal a ninguém por causa de um pedido meu. Meu Deus não quer o sofrimento,  não visa o próprio interesse, não exige de mim homicídios ou sacrifícios de animais. Porque meu irmão mais velho, aquele mais próximo do meu pai,  aquele que foi o primogênito e o mais chegado, já assumiu a culpa dos meus delitos. Ele me protegeu e pediu ao nosso Pai para deixar que Ele cuidasse das responsabilidades. 

A minha família é de amor.  E eu,  filhinha,  sou amada e cuidada o tempo todo. Não há Deus maior que o meu. Porque o meu me trata como filha. O meu me ama primeiro. O meu nunca terá de mim tudo o que Ele merece.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Caimento

Onde, exatamente, fica o topo do mundo? Me diga que eu juro que vou.
Vou encontrar uma estrela, um barco, um chão.
Me diga onde é o topo que procuro dentro de mim uma maneira de chegar.
Nesse oceano de sentimentos, nessa imensidão de pensamentos.
Onde fica a borda? Quero tocar nas estrelas, sentir o suave frescor de nuvens de algodão.
Não sei como é esse mundo, lá fora venta e as janelas chiam. É como se eu andasse entre árvores gigantes, num chão de terra batida cheio de sonhos mortos. Numa bacia à mesa, lágrimas que não chorei, são lágrimas de quê? Lágrimas de quem?
Por quem eu choro? Pelo o quê?
O mundo pode ser uma caixa de papelão vazia, embocada contra o chão, escura.
Como se gritos ecoassem pela cidade isolada.
Se fecho os olhos quase posso perceber a tristeza.
Ela sempre esteve aqui?
Onde fica o topo do mundo? Quero ir ao pico, pois temo procurar o fundo. E se eu cair? E se eu cair? Será que vou ter forças para voltar? Onde fica o topo do mundo? Me diga, me diga que eu vou buscar ganas para ir até lá.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Onde os fracos não têm vez...

     Algumas pessoas dizem que o dinheiro é o mal do mundo. Que o dinheiro é aquilo que faz com que mostremos nossos piores lados, que deixemos de pensar nos outros e sejamos egoístas. Tá, isso é bem bonito e filosófico, dá a sensação de que somos maravilhosos, mas somos corrompidos por um vilão impiedoso e que se esse vilão absurdo não existisse, tudo seria lindo. Para mim esse teoria é tão fraca e tão facilmente contraditória e absurda que mal entendo como algumas pessoas podem defendê-la com tanto fervor. Quer dizer... Quem inventou o dinheiro, afinal? Ele caiu do céu? Foi encontrado na terra? Não né, fomos nós, seres humanos que resolvemos colocá-lo para negócio. E depois, quem é que controla o dinheiro? São os anjos? São energias cósmicas? Não também, né... Somos nós. Então vamos mais além...
     Você tem um pedaço de pão na sua mão, o pão, que é um alimento que nos faz tão bem... Se você usa aquele pão para sufocar uma pessoa até a morte, quem é o vilão? Você ou o pão? Porque para mim, sugerir que o dinheiro é o vilão de tudo, é acreditar que se você não tivesse aquele pão, você não ousaria matar a outra pessoa. É simplesmente querer ser simplista alegar que o mal do mundo é um bando de papel cortado que usamos para controlar o que temos ou o que não temos. O dinheiro passou a existir porque foi necessário, porque as trocas pequenas e singulares que estavam sendo feitas nas feiras medievais já não eram mais suficientes, porque as vezes você só tinha trigo, mas precisava comer aveia e o dono da aveia não queria trigo porque o que ele estava precisando mesmo era de mel, que só era trocado numa feira lá longe, mas em compensação o dono do transporte não queria aveia também, e nem trigo.
     O dinheiro foi necessário e continua sendo até hoje. Não é o papel-moeda o culpado e nem o capitalismo, mas nós. Nós somos culpados por não saber lidar com esse objeto que nos permite ter mais coisas. Estamos sempre querendo mais e se a pessoa do nosso lado estiver morrendo, aprendemos a não nos importar desde que nós tenhamos o que queremos. Não é o dinheiro que nos corrói, mas nós que corrompemos tudo e todos. Já dizia Thomas Hobbes: "O Homem é o lobo do Homem" e ele está certíssimo, quem vai dizer que não? Ele lá atrás percebeu que era o homem quem fazia todas as besteiras e que corrompia um ao outro, foi ele quem disse que precisamos ser podados, precisamos ser regidos por leis para que não façamos coisas grotescas. Tá aí, temos as leis, temos os governos. Na teoria TUDO é controlado por um outro órgão e funcionaria perfeitamente se nós, mais uma vez, não estivéssemos errando.
     Acho que nós erramos, MUITO, em não fazer nada. E depois erramos mais um pouco em não pensar. Porque quando alguém se movimenta, se você observar bem vai perceber que nem ela sabe o motivo de estar se movimentando. Eu vejo tanto isso que dá náuseas. Me diz, para que existe o seu cérebro, afinal?

sábado, 29 de setembro de 2012

Existo, logo penso????

Nietzsche que me dê licença da citação, mas é sério isso?

Será que essa filosofia do "existo, logo penso" pode ser realmente comprovada? Quantas pessoas, SEM DÚVIDA, existem por aí, mas não pensam. Elas vomitam. Vomitam repetições, compartilham frases que elas nem sequer sabem o que significam, elas estão por aqui vivendo e só. Nada para acrescentar.
Caramba, está faltando pensamento no século XXI. Tem gente demais e reflexão de menos, tem repetição de mais e senso crítico de MUITO menos. Senso crítico, que locução maravilhosa, que preciosidade que está esquecida entre a moda e a futilidade.

Tem gente que acha que pensa, mas vomita frases "cults" e pensamentos políticos teóricos LINDOS, mas que na prática não servem nem para calcular o gasto do senado com a limpeza dos banheiros. Sobre isso não posso culpar os cidadãos pela ignorância já que ninguém ensina mais como que as coisas funcionam, não tem ninguém para indicar o caminho hoje em dia e a pessoa anda como dá. O problema é vomitar achando que está cristalizando carbono hexagonal.

Tem diversas coisas que me deixam injuriada ultimamente com ligação à esse padrão que vou nomear carinhosamente de "idiotização cult". Pois bem, ela está em todos os lugares: na faculdade, no facebook, na televisão, no twitter, nos e-mails de trabalho,nas rádios, no programa eleitoral, nas boas intenções...  E o mais surpreendente é como a idiotice se espalha! Com nessa onda de compartilhamento o que realmente interesse fica preso em algumas poucas visualizações enquanto a idiotice se prolifera como epidemia.

É verdade que devemos ser firmes em nossas opiniões e que se as temos é porque achamos que elas são sensatas. Mas a pessoa que tem fortes argumentos para manter sua opinião, mesmo que para mim esta seja a mais estúpida possível, já ganha pontos. O que me incomoda, além da falta de coerência de alguns lemas, se algumas visões, é a repetição desenfreada destas quando muitas vezes não se sabe nem do que se está falando. Como por exemplo, vi no facebook esses dias... Um compartilhamento dizendo que homem machista acha feio mulher falar palavrão... Até eu acho feio. Falo, mas acho feio. Acho feio homem falando também. A grande diferença é que na minha visão, mulher é mais sensata que homem. Mulher percebe as coisas de maneira mais clara e cabe a ela se portar com mais educação, com uma postura adequada. E se o homem está fugindo disso, sinalizar para ele que não está adequado.  Também tinha uma dizendo que homem machista chama senso crítico de TPM... Dá licença, eu tenho TPM e eu mesma não me suporto quando estou nesses dias e sei de um monte de gente que fica um SACO com sua porção de opiniões exageradas e dramáticas/esbaforidas/melodramáticas/nervosinhas. Existe diferença entre "senso crítico" e "falação".

Nessa comunidade tinham algumas outras tantas atrocidades. Tinham algumas, bastante até, quer eram verídicas, coerentes e tal, mas outras?! Outras eram simplesmente... melhor nem dizer. A minha crítica aqui é por colocar tudo num saco só e não pensar no que isso significa. E não ter noção de quais arestas isso deixa. Porque nada é unilateral nessa vida. Você tem que ter noção disso e refletir sobre as cartas que não estão na mesa, ou seja, nas coisas que não podem ser vistas do seu ponto de vista.A vida é como um jogo de cartas, não é porque você tem um bom jogo que pode garantir saber onde estão todas as outras cartas e o que elas significam...

E aí Nietzsche.. Só porque eu existo, será que eu penso?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

AQUELE dos 'Friends'.


>Tenho AQUELES amigos de infância: que se não fossem bons, não teria durado tanto tempo e com os quais você SEMPRE parece ter 10 anos, amigAs que são irmãs. Com as quais já briguei e BRIGO e que de vez em quando estamos emburradas, mas MAIS do que isso... Sempre retornamos uma as outras, como imãs;
>Tenho AQUELES que são frutos do colégio: que dentre OUTROS AMIGOS queridos, acabam sendo os que se sobressaiem por sabe-se lá qual motivo, talvez um amor grande demais, um carinho enorme demais, por serem excepcionais demais ou por terem passado anos da vida te aturando todo dia e ainda assim gostando e aceitando você;
>Tenho AQUELES que o teatro me deu: na correria dos ensaios, nas *merdas dos bastidores, no sufoco dos orçamentos, nas expectativadas e no compartilhar do sonho... Esses são aqueles que te acham um artista ou às vezes nem tanto assim, mas que gostam de você o suficiente para aplaudir no final de um espetáculo, com os quais a gente aprende a compartilhar mais do que o sonho, mas o backstage que é a nossa vida;
>Tenho AQUELES que o pré-vestibular me deu: que estiveram segurando a sua mão quando você tinha medo da prova seguinte, quando você pensava que não ia conseguir, quando você contava seu gabarito ou esperava o resultado (e até chorava pelo amor errado). MAS, mais do que isso, esses são amigos que iam aturando diariamente sua mudança de humor e mesmo assim, vocês conseguiram construir um vínculo verdadeiro e inquebrantável;
> Tenho AQUELES que a nerdice me deu: são os mais inusitados, diferentes, estranhos, divertidos e inesperados. Uns amigos TÃO queridos que você procura entender como essa amizade acontece. E não vai descobrir porque são laços invisíveis, meio cibernéticos, virtuais e reais, feitos de silício, propagados em ondas de respeito, admiração e carinho;
>Tenho AQUELES que a faculdade me deu: as aulas matadas, os professores avacalhados, os trabalhos non sense, as críticas ao DCE, as críticas ao mundo, aos coleguinhas, o futuro incerto e só fantasiado... Amigos que me fazem entender porque foi que eu demorei TANTO para começar meu ensino superior. Ta aí, estava esperando a hora para encontrar com vocês. Tinha que ser com vocês. Tinha mesmo ;)


E MAIS do que tudo... TODOS esses são amigos que DEUS me deu. Acreditando eles ou não nisso, rs. Eu acredito e sei que foi, pois Ele foi o primeiro amigo que eu tive e vem se mantendo até hoje.

Só tenho a agradecer por cada palavra, cada riso, cada lágrima, cada segundo passado junto com vocês. MUITO obrigada MESMO!

<33333333


Sei que com essa mensagem parece que saio considerando todo mundo como amigo, mas não é verdade. Poderia dizer nome por nome os meus amigos. Talvez seja mais do que a maioria, mas não tenho culpa se eu faço parte de mais tribos do que a maioria ou que não abandono meus antigos na descoberta dos novos. Posso garantir que todos os que considerei ao escrever esse post hoje, caso eu ligue AGORA para chorar, vão estar prontos para me atender. Se eu pedir, vão me estender a mão... Para mim amigo é aquele com quem você tem um encontro de coração e com quem cria um elo forte e duradouro. Não me importo se alguns desses meus amigos não convivam comigo diariamente ou que nem sequer more no mesmo estado, acho isso uma pequenez de mente que não sabe perceber que as vezes as pessoas ao seu lado não te amam como as que estão um pouco mais longe. Graças a Deus eu tenho AMIGOS. Que bom que posso dizer que todos eles estão no meu coração. Que bom que eles estão sempre seguindo comigo.

Compartilhe!