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sexta-feira, 7 de abril de 2023

disconnected words

 Do you think of me?

Do you regret anything you did?


It's not a movie, you know

our lives. 

I don't have how to know you love if you don't tell me

I don't have how to know if you don't show me


If I cared less it would be so much easier

But I need to stand by myself

And what you were giving to me was not enough

Besides loving you so, or exactly because I loved you that way

It wasn't enough, babe.


You are stuck being a child

You don't want to grow up and be a man

But I'm a woman. I cannot pretend not care

I deserve being loved and I deserved more


I tried to make you give me all that

and it's just wrong

I would never tried that

because if it's not given freely it's not love


But I believed in us so hard

and I don't even know in what believe anymore

All my certain dropped and vanished

It's your turn, if you want to, to believed for both of us

Lost and soft

 Among all the stories they told us

Among all the plan we made for us

What is in front of us now?

What is just in front of us?


I've cried all my tears out

I've danced the whole dance and more

kept spinning by myself

Hoping it's going to start playing again


What's in front of us now?


I dreamt about your eyes

and all your kisses in my face and my head

I can see the smile you had while looking at me when I cooked

I wanted it all, you know? I wanted it all.


But you didn't love me enough. You didn't love me.

It was so comfortable for you, it was so easy

Because I "planted" all my girders and "built" my roots

I drew all the lines to find you

I gave it all and you let me walk away without hesitation


What is in front of us now?


I don't wanna come back to that

besides keep holding onto you so tight

I don't wanna be in thar place again

besides wanting you so badly


I don't even know anymore what to expect

because I'm afraid you and that place are attached as hell

You cannot fight for me or maybe you don't want

doesn't make any difference now. 

It's all the same.


Our 23 kids running are fading away

Our past is vanishing.

Our future was just a mirage, my mirage.

What is in front for us now?

domingo, 2 de abril de 2023

Broken-hearted three times in a row

 Babe,

You broke my heart. Deeply.

And you did it while I was 

living one of the most vulnerable moments of my entire life.


You broke my heart for not loving me back

You broke my heart for not caring.

You broke my heart for being such a selfish,

thinking only and only about you

that you couldn't take a moment

just a moment

just a little second of your self centred life

to look at me and see how deeply I needed you to be my support.


I told you many times

that I was there to be your partner

to be with you

to help you

to support you

to not let you down

But you were not able to do the same to me


Babe, you broke my heart

and I almost broke together with it.

I saw my pieces on the mirror, on the floor, on my inner

I saw the scars and the fragilities

I saw it. 


Babe you broke my heart

almost my soul.

But I'll not let me down.

I'll be here for me. With me.

I'll support me and help me.


I'll go through it.

I'll face my weaknesses and recover my pieces

Rebuild myself, rebuild my hope.

And somehow, stop caring about you,

Stop loving you.

And then, have my heart fresh and new.

domingo, 17 de julho de 2022

C.R.F

 

Uma cicatriz ainda é uma cicatriz, não importa se foi feita por um cirurgião ou por um machucado bobo, não importa quanto tempo ela existe, não importa muita coisa.

Ela continua sendo uma cicatriz.

Existe um caminho feito dentro de mim onde o caminhão passou por cima da minha ingênua ilusão sobre você. O caminhão foi pesado e abriu sulcos na terra, deixou a marca dos pneus, saiu levantando terra. O que resta agora além de tentar aterrar e consertar os estragos?

A cicatriz ficou.

Há marcas de você na minha memória. Há lembranças da cor dos seus olhos, da forma que você ri, de como você andava meio sem jeito antes de ir comprar café. Há marcas de como você posicionava a sua mão no meu pescoço e como eu sentia um arrepio na espinha. Há o seu cheiro e o seu calor. Há marcas suas aqui.

Não é que eu as queira. Eu não quero. E ainda assim não consigo abrir mão.

Do que achei que fôssemos, não restou nada. Levantou o pequeno pé com raiz e tudo.  Como um vendaval – repentino, assustador e incontrolável.

Você se fez um estranho com a mesma rapidez que se fez relevante.

Quem é você, afinal? Aquele que me deixava deitar em seu peito e me abrigar no seu carinho ou o que parou de se importar no intervalo de algumas horas? Quem é você? O que você sente, o que você pensa, como você enxerga a mim quando – e se – olha para trás?

Não assimilo a pessoa com quem eu tinha tanto em comum – com quem era fácil sorrir e estar – com esse estranho que me olha de volta quando vejo sua foto.

Me sinto tão boba agora por ter acredito tanto em você e tanto no que achei que existia que não fui capaz de me impedir de fechar os olhos. Tudo que você fez foram só formas para me enganar ou houve alguma verdade naqueles momentos? Foi calculado ou foi verdadeiro?

Há marcas suas aqui que eu não consigo apagar. Eu as ignoro. Ignoro até que seja fácil, vou ignorar até que elas não pareçam nada além de uma cicatriz branca, antiga, já esquecida. Mas uma cicatriz ainda é uma cicatriz.

Você percebe que quando foi embora, me tirou não só os beijos e a ilusão, mas me tirou também um amigo? E eu agora não se dizer se alguma coisa foi real. Do que valeu tudo que éramos compatíveis, tudo que parecíamos confluir? Você desafinou todas as notas quando parou de tocar.

A música realmente tocava enquanto eu estava dançando ou eu estava escutando só o que você queria me fazer escutar?

Há marcas de você aqui, marcas dos seus dedos, dos seus beijos, dos seus discos, da sua playlist, dos seus óculos de intelectual.

Há marcas minhas em você? Há alguma cicatriz, há algum arrependimento em você sobre sua decisão? Ou foi fácil ir embora do mesmo jeito que foi fácil chegar?

Tudo me lembra você. O que eu odeio. Odeio que você tenha peso ainda em qualquer coisa que seja. Mas tudo que quero odiar por sua causa me lembra você. E tudo que eu amava em você, me faz distante dos outros. 

Há marcas de você aqui. Marcas tão sutis que eu me distraio até me deparar com uma delas, me lembrando do que foi. E me lembrando de que talvez nunca tenha sido.

Me responde, alguma coisa foi real?

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Eu não uso óculos.

Quando eu era criança, eu tinha uma loucura por usar óculos. Se eu for honesta comigo mesma, eu ainda tenho uma vontadezinha de usar óculos de grau. Não por querer ter problemas oculares - na verdade, morro de medo. Gosto de ter a visão perfeitinha, sempre elogiada pelo oftalmologista. Então você pode se perguntar, por que eu queria usar óculos? Aqui os óculos se tornam apenas um acessório, como muitos que usamos na vida - abstratos ou concretos, emocionais ou racionais, simbólicos ou não. Quando me vejo de óculos me sinto mais intelectual. Sinto que as pessoas poderiam me enxergar com mais seriedade ou mais respeito, me dá um diferencial, ganho uma certa notoriedade. Uma Thainá usando óculos de grau tem um apelo totalmente diferente e gera uma percepção totalmente diferente nas pessoas ao meu redor. De repente me sinto mais interessante, embora a pessoa que eu seja não tenha mudado em nada. Como os óculos, temos nos baseado em acessórios em nossa vida para a forma como queremos ser vistos.

É normal que vivendo em sociedade, queiramos ter funções e assumir papéis diante de nossos amigos, familiares ou pessoas a quem admiramos. Todos querem ser admirados: pela sua beleza, inteligência, habilidade ou parcimônia. Por que ser admirado é assumir que somos importantes, temos relevância para alguém, somos apreciados.

O que está sendo, na sua vida, os seus óculos? O que você tem usado como máscara para ser aceito pelas pessoas, para se sentir melhor, mais admirável, mais legal, mais popular? O que a sociedade - e aqui, lê-se seus amigos, professores, pessoas a quem você admira e sente vontade de agradar - exigem de você, ainda que de forma muito sutil, para que você tenha esse sentimento de pertencimento, parte do grupo ou até sentir-se apreciado pelas pessoas?! Será que você tem moldado suas opiniões para que elas caibam dentro do que o grupo "espera" para que assim você se sinta um deles? Será que você tem feito coisas, que talvez nem achasse assim tão interessante fazer, para estar com a turma? Será que tem se calado - não dividindo seus reais pensamentos - por medo de ser excluído ou ser massacrado pelas opiniões dos que te rodeiam?! Esses podem ser os seus óculos.

Um acessório que te dê esse selo de aceitação pode ter muitas formas: um piercing,uma tatuagem, um namorado, um celular de última geração, uma opinião ou a falta dela, um comportamento,... Podem ser vários ao mesmo tempo.

A época de formação da personalidade é provavelmente a época de maior desafios no que concerne a aceitação por parte do grupo - tornando a adolescência e o início da fase adulta complexas - por causa disso. Estudos¹ costumam concordar que o desenvolvimento da personalidade vai até os 30 anos. Ou seja, é durante a segunda década de vida que vamos nos tornando menos passíveis de mudanças drásticas em nossa personalidade, embora essas ainda ocorram. Quando nossa personalidade está formada, não somos tão influenciados por aquilo que os outros esperam ou pensam de nós - ter consciência da própria identidade não está totalmente associada a idade, mas também não é desconectada. Assim, é no momento de maiores mudanças na nossa vida - fim do ensino médio, escolha de uma profissão, início da vida profissional, entre outras - que estamos mais suscetíveis a opinião do outro para a formação de nossa personalidade, justamente porque tendemos a querer sermos aceitos e ao estarmos em ambientes novos, desconhecidos, onde ainda não temos o sentimento de pertencimento, estamos mais ansiosos em fazer parte do grupo.

Apesar disso, com nossos vinte e poucos ou no período pós-"maioridade" (18+) temos o costume de nos sentir maduros o suficiente para sabermos de tudo. E com isso, abrimos brechas para sermos impulsivos em abraçar bandeiras, assumir papéis e defender ideias. Não me surpreende que as Universidades formem tantas pessoas com o mesmo viés ideológico de seus professores - sem entrar em méritos, só constatando. Aqui temos um fenômeno que não é apenas ligado ao pertencimento ao grupo, mas na relação de admiração, oportunidades e autoridade. Um Professor é a figura de autoridade² não apenas pelo cargo que ocupa, mas em determinado assunto, por pesquisas e por personificar a figura de conhecimento. Nós admiramos aquela pessoa pelo seu amplo conhecimento em determinado assunto e temos a tendência de acreditar que o ela diz sempre advém desse conhecimento, dessa "sabedoria" inspiradora. Portanto, acreditamos fielmente em coisas que muitas vezes é apenas uma opinião, não algo baseado em fatos. Embora eu cite o ambiente universitário, obviamente o mesmo se dá no ambiente escolar, com a diferença de que na escola, o aluno está muito menos exposto a algumas circunstâncias como o impacto da política na vida cotidiana, custo de vida, a necessidade da tomada de decisões a longo prazo, etc.

Com isso, percebemos como a mente está exposta aos ideais que serão compartilhados como verdades absolutas, ainda que estes não sejam. Vamos comprar ideias sem nunca termos analisado sequer seus preâmbulos, quanto mais os assuntos mais profundos e toda sua complexidade. É necessário ter em mente que assuntos humanos nunca são exatos. É difícil discutir temas como identidade de gênero, aborto ou muitos outros, pela superfície - e nem sequer deveríamos, pois eles são COMPLEXOS e, portanto, para não sermos injustos com o tema e as pessoas envoltas neles, precisamos ter sensibilidade - eu diria humanidade, até. E não se encontrará uma concordância, alguns pontos ficarão por conta de seus valores morais intrínsecos. E também não significa que a verdade seja relativa porque ela não é; existem fatos incontestáveis e numerosos sofismas que precisam ser avaliados como positivos ou negativos, além de apenas verdadeiros. A falta de bilateralidade nas discussões em nível acadêmico tem gerado e alimentado problemas diversos no seio da sociedade: intolerância, desrespeito, falhas de comunicação, laços familiares desfeitos, ódio, porfias, etc.

Creio que jovens tem assumido posições políticas e sociais como acessórios. A pressão social e do grupo tem levado esses jovens a opiniões rasas, porém populares. Geralmente essas visões são difundidas como sendo moralmente corretas, intelectuais e de um modo geral, boas; enquanto tudo que se difere destas, mesmo que minimamente, é intolerante, preconceituoso, ignorância e, em geral errado. Quando tentamos suprimir visões de mundo diferentes por meio da coerção, pressão social, ridicularização e até de ameaças, isso sim é intolerância, preconceituoso e estúpido. Infelizmente, chegamos a um ponto da racionalidade que não se faz a análise de posturas e muitas vezes essas despertam justamente das figuras de autoridade que deveriam, seja pela experiência, pela idade e até pelo conhecimento, impedi-las. Outros casos, há tamanha confusão nas explicações de algumas bandeiras que muitas pessoas sequer compreendem o todo, mas se sentem impelidas a defendê-las.

Imagine só, o desastre que seria se eu usasse um óculos de grau meramente pela necessidade de ser aceita pelo grupo? Quantos malefícios eu traria para a minha visão! Eu poderia deturpá-la para sempre, de forma a nunca mais conseguir tê-la perfeita. E talvez eu nunca viesse a sequer perceber o estrago que causei. É a mesma coisa com os acessórios que usamos em nossa vida: que grande prejuízo eles podem causar, não apenas para quem os usa, mas para aqueles que o cercam. Então eu pergunto, quais acessórios você tem usado em sua vida? Que tipo de bandeiras você tem defendido e levantado, sem realmente conhecê-las, sem realmente compreendê-las - conhecendo as premissas das demais- para ser visto como alguém inteligente? O que você tem aceitado fazer para que o grupo o enxergue como um deles? Que tipo de valores morais você tem suprimido para não ser ridicularizado?

Cuidado com os acessórios que você tem aceitado.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Testando o amor (?)

Peço previamente desculpas a quem eu inevitavelmente vá ofender. Não é a minha intenção. Mas te convido a refletir comigo sobre aquilo que vou falar, não porque estou completamente certa, mas porque talvez eu te traga uma visão que você nunca tenha percebido.

Em meio a tantos novos relacionamentos, a tantas mudanças e possibilidades que se desenham conforme a sociedade vai se percebendo, a ideia de construir algo com quem se ama permanece sendo atrativa e aos que estão apaixonados, torna-se mais um destino do que um sonho. Apesar de todas as mudanças do mundo, a instituição mais antiga de todas continua a ter seu appeal. O casamento é ainda a conclusão óbvia, para a maioria, que ama.

Mas o casamento muito mais do que uma festa, um enlace, um documento, é como eu disse, uma instituição. Institui-se que duas pessoas se amam a ponto de aceitarem seus defeitos, suas qualidades e decidirem que não importando o balanço do mar, as tempestades e as ressacas, querem estar juntos. Crescer juntos. Construir juntos. Passar por essa vida tendo o outro como o principal suporte, amigo, companheiro e algo sem nome que significa o misto de enxugar lágrimas, de tirar do sério, arrancar as gargalhadas mais idiotas, te ver no seu dia mais maravilhoso e no seu pior dia, fazer massagem contra cólicas ou ter a permissão de te ajudar nos dias de vômitos, diarreias e outras coisas grotescas do ser humano.

Casamento é uma instituição com nuances diversas, mas sempre de amor e cuidado. Sempre de trabalho e dedicação. Sempre de aconchego e espaço.

Então me incomoda que sejamos tão simplistas e tão metódicos com algo que não tem regras. Não há padrão. O que quero dizer? Bem, me refiro a algo que vejo se repetir muito que é essa ideia de que antes de casar deve-se testar para saber se dará certo: morar junto. Tenho plena convicção que existem casais que moram juntos e são muito mais casados do que outros que tem papel passado. Veja bem, não falo de morar junto o ato, mas a ideia de que esta seja uma condição racional e pré-casamento.

Quando supõe-se que você vai testar, está muito explícita a ideia de que você pode concluir que está ruim. Foi engano. Trocar, querer outro. Perde-se todo o sentido de construção e estabilidade. Perde-se o foco de que quando você decide viver sua vida com alguém, pode inevitavelmente ter sido um erro, mas devemos procurar o acerto. 100%. Há quem diga que não existe uma pessoa só para nós, não existe alma gêmea. Concordo, não existe, mas isso não significa que a pessoa que escolhi não possa ser a única com quem eu viva. E ser feliz com isso.

Testar me dá a terrível sensação de exame. De ser aprovado ou não. E será que você pode ser testado? Seus sentimentos, dias ruins, teimosias, defeitos. Qual pode ser sua nuance para que alguém te defina como um erro? Conviver é a coisa mais difícil do mundo. Mudar e se adaptar diariamente. Quando você casa com plena certeza de que aquela é a pessoa, se faz claro que você quer entender e enfrentar os dilemas. Não se constrói nada forte e edificado sem quebrar algumas rochas, errar uns sustentos, recomeçar uma parede. Mas continuar, corrigindo aqui e ali, mas continuar. Não se constrói nada muito forte com testes. Testes são abandonados ao ter suas conclusões: bom ou ruim. Pronto para a outra.

Me ofende que alguém que eu ame me olhe e não tenha a certeza se sou suficiente a ponto de me sugerir um teste. “Te amo, mas talvez você não seja assim tão bom”. “Te amo, mas não me arrisco”. “Te amo, mas sabe como é”. Bem, você sabe como é, pode haver alguém melhor no caminho. Que desastre. Talvez você durma da maneira errada. Talvez você deixe a pia da louça na pia de um dia para o outro. Ou largue a roupa suja no chão do banheiro. Ou não faça a cama quando se levantar.

Ignoramos que todos possuem defeitos, procura-se defeitos que eu conviva por mais tempo ou invés de procurar qualidades que eu queira por perto. Quando se quer testar acaba com toda a qualquer reserva daquilo que o poeta disse ser um mergulho no escuro. Não, mergulhar não, eu entro aos pouquinhos e conforme a minha predisposição.

Criamos relações frias, sem entrega, sem disposição para o cuidado e a dedicação. Quero muito meu espaço e o meu jeito e  esqueço de abrir espaço também e aceitar o jeito do outro. Ao “morar junto”, sem as amarras e sem a disposição de ser melhor todo dia, resumimos uma decisão para a vida toda em uma decisão que vá até a minha paciência. Perdemos a chance incrível de perceber que há mais depois, que há consertos e há reparos. E há relações que ficam ainda melhores depois das pequenas aparadas dos fios soltos.

Testar é uma pré-disposição de construir um relacionamento descartável com alguém que considero potencialmente descartável. Um possível acerto, uma probabilidade matemática, um zero decidindo em qual lado vai ficar. Numa briga, pego uma mala e desfiz os laços. Passo os dias pesando prós e contras, qualquer coisa feita se torna um possível tópico numa lista. A decisão não é feita a partir  da minha vontade de crescer e construir uma vida em comum com o outro, mas na hipocrisia de uma balança de benefícios.

Testar, me parece a pior maneira de se começar uma relação que mais do que status e mais do que estado, deve ser uma instituição.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Primavera Secundarista e o inverno social

Uma aluna do Paraná foi até a tribuna do Estado discursar. Embora suas ideias não concordem com as minhas sobre os meios, acredito que temos o mesmo objetivo. Estudantes secundaristas, eu acredito na intenção de vocês. No apelo de vocês. Acho importante e especial que tenhamos espaço de discussão desde cedo. Os estudos diversos sobre educação mundial apontam que o ensino médio(não necessariamente com este termo) PRECISA ser um espaço reflexivo. Voltado ao senso crítico. Eu concordo. Não se faz cidadãos sem base crítica e retórica, não se faz reflexão sem conhecimento. Precisamos de prática e até mesmo de guia. Mas, eu me entristeço em dizer que vocês tem ao lado de vocês esferas da sociedade que querem abusar de suas iniciativas. Aprendi que ainda não temos condições de fazermos movimentos sem bandeira, sem partido. Vocês estão sendo influenciados e/ou incentivados por bandeiras, por pontos de vistas que não podem deixar de ser políticos e partidários.

 Há provas contundentes na história mundial apontando que certos movimentos sociais incitam a estruturação de um modelo falido de sociedade. Um modelo utópico que ignora os desejos individuais de cada um de nós. Um modelo em que NUNCA uma estudante estaria sendo recebida pelo seu Estado para ter suas palavras ouvidas. Nem sequer apenas assistidas. Um modelo que iguala por baixo, incentivando ainda mais uma divergência entre população e Estado. Vocês deveriam saber disso, está no currículo ensinar a formulação e os conceitos dos estados socialistas e capitalistas. O segundo tem problemas, MUITOS problemas, mas em comparação ao socialismo ele é um paraíso. Não precisa concordar comigo, mas compare. Compare a história. Pense na realidade do ser humano, em seus desejos, seus estímulos, naquilo que nos move.

 Ao assistir sua par discursando o que mais me incomodou entre suas muitas divergências comigo, foi a ideia de que o Estado foi responsável pela morte do estudante Lucas. Ela citou o ECA, alegando que o Estado é responsável. Mas preciso dizer que vocês muito se enganam quando transferem essa responsabilidade. O estudante estava num local de responsabilidade do Estado, porém, ao ocuparem esse espaço voluntariamente, em comunhão, vocês também expulsaram a presença do Estado. A presença de policiamento, por 'n' motivos, foi impossibilitada. Vocês disseram "não" a presença e ao cuidado do Estado. Poderiam estar pedindo apenas a não proibição, a não intervenção, mas uma consequência disto, foi ter para vocês todo o espaço e responsabilidade do que acontece ali. O aluno estava consumindo junto com seu assassino substâncias ilícitas. Novamente, voluntariamente. E a briga que levou ao óbito também ocorreu em decorrência dessa droga. Não culpe o Estado por uma instabilidade que o espaço ocupado de vocês permitiu, que a falta de segurança e controle permitiu. Que a falta de líderes e responsáveis permitiu.

A sociedade sente a morte de suas crianças e adolescentes e sofre por isso, mas não a acuse injustamente querendo isentar o movimento de vocês do que ocorreu. Somos responsáveis pelas nossas atitudes. Somos responsáveis, ainda que fora de uma esfera criminal, por aquilo que cabe a nos escolher. E vocês escolheram, ainda que por um motivo nobre, se colocarem em perigo. Vocês estavam cientes disto. Somos animais. E quando colocados sob pressão em circunstâncias estressantes, ainda mais quando usamos de substâncias que nos tiram de nosso total controle mental, longe dos olhos da lei, estamos criando problemas para nós mesmos.

A responsabilidade é de todos vocês que se colocaram ali, de quem teve a ideia, de quem estava liderando, de quem estava incentivando. Principalmente dos adultos que estavam envolvidos e não se importaram com a segurança de vocês! Principalmente dos adultos que deveriam estar zelando pelo respeito às leis ainda dentro desse espaço. E por fim, a responsabilidade foi dos dois envolvidos que além de todos esse viés, além de usar de uma droga sintética se permitiram entrar em confronto um com o outro como meros animais e não racionais. O Estado não estava ali dentro porque vocês mesmos o tinham expulsado.

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