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terça-feira, 8 de julho de 2025

Now and then

 I am finding peace in these little moments,

the small pieces of beauty and art,

true art.


I am enjoying myself in this inner peace I found when I am alone, where there's no need to accomplish, or to listen, or to be something or someone.

I don't need to be anyone when I am with myself.

I don't have expectations to accomplish or feelings to take into account.


There's so much noise outside this bubble.

I like noise, I like people, I like the sounds of laughs and conversations.

I do like to be among those I care about.

But this...this peace, I cannot find anywhere else. Where God and I can sit in silence, without fear of interference, of the voice of others sprinkling out.


It's the place where I can only stay and nothing else.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

24 months and counting

 How crazy it is how easily the life runs through our fingers?

We just live and then looking back we see how many days, weeks and even years has gone.

It was not different with us. It has a long time since the last time I looked into your eyes, the last time I saw you, the last time I kissed you. The last time I held your hands.

The time just passed but here I am, remembering it all.

After all this time, I still catch myself smiling of small silly things, and regretting not having all big and small ones anymore. I kind of realized I really never had any of those. Not really.

It's November again and since I met you, I never had one November with you. Seems I never will. So it's not so bad to me right now once I have nothing to compare with. 

I think it gets easier every day, memories fade, feelings start to disappear and what we was, or what we should've been, just become more and more a story, not reality. It's in the past, they can say. Or I say to myself, even though every time I close my eyes, I keep looking for you.

What a silly girl I am. 

quinta-feira, 25 de abril de 2024

absentness

Counting endlessly your absence
And sometimes I ask myself what does it mean
Every shot of reality, every time I realized my condition
I have to deal with the fact that I don't even know what I am waiting anymore.

Honestly picking up the pieces around everywhere
Not much sure if it makes any sense
Every time I bow to get a new one, many others slip through my fingers,
falling again and again.

I don't love you.
But I also don't forget you.
I keep hoping that you can be who I thought you were.

It has been more than an year now.
About five months since the day I decided to erase you from my life.
What the heck, then, that I still check you in my mind.

Everyone else that I meet, 
makes just more clear the things I loved about you.
All the disconnections around me,
all the half emptiness, half interest.
And I don't even know who you are.
Not anymore. Not after all this time.

How can I be sure.
Of anything.

It's just tiring. And frustrating.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Aquele tal dos 30

(written: 18/04/2022) 


Existe um portal invisível que a gente ultrapassa aos 30 anos.

Tem alguma coisa com esse marco que faz a gente mudar – por dentro e por fora – de forma perceptível e incontrolável.

A gente se torna muito consciente para ser inconsequente.  Aquelas coisas bobas e perigosas que era parte dos nossos vinte foram-se. De uma hora para a outra, elas já não são mais fazíveis. Percorremos todo o trajeto da sensação de dono de si e dono do mundo, chegamos ao ponto em que descobrimos que ser dono de si significa lidar com as consequências estourando no meio da nossa cara. E ser inconsequente é um papelão ridículo que alguns insistem em fazer, mas que já parece e muito com a piada de tiozão.

E tiozão é uma coisa que a gente começa a se sentir. MESMO.

Os adolescentes de hoje parecem tão diferentes de nós quando éramos adolescentes. E a gente sabe que no fundo não devem ser, mas parecem. Eles não têm noção do quão pouco sabem. E quando a gente compartilha alguma coisa, eles parecem rir da gente por dentro. E já reparou que a gente está sempre pronto a compartilhar alguma coisa com os mais novos? E aí a gente se lembra de que os adultos que faziam isso eram chatos. Viramos os adultos chatos. Que droga!

Mas é incontrolável: eles são tão intensos, tudo é tão questão de vida ou morte: o namoro, as decisões sobre ir ou não naquela festa, as ordens dos pais. A gente sente vontade de dizer: “ei, calma. Está tudo certo, isso vai se resolver”.  Poxa, se eles soubessem o quão legal é ser só um adolescente. Não é hora de se preocupar tanto com as coisas sérias, nem tornar tudo tão sério. Curta um pouco a viagem, crianças. É algo que a gente só se dá conta depois e aí já não dá pra voltar no tempo.

Os medos que tínhamos antes hoje vemos que eram bobos. A gente olha e nem acredita que já teve mesmo aquele medo, aquele receio, que sofria por aquela coisa ou por aquele alguém. Rimos do nosso desespero quanto ao futuro agora que o tal futuro virou presente. Nós temos anseios do presente mesmo. É a conta que precisa fechar, a decisão que precisa se tomada, a casa, o carro, a promoção – ou a demissão – que nos deixa preocupados. Pensamentos de gente grande.

Mas a gente não se sente grande. Não conseguimos ligar a nossa visão de adulto com quem nós somos. Adultos são aquelas pessoas que sabem tomar decisões, seguras de si, com um trabalho estável e tudo resolvido na vida. Adultos são as figuras de nossos pais que já cuidavam de casa e de trabalho, já tinham filhos e economizavam para a viagem do final do ano.  E alguns de nós já são pais!

Tínhamos expectativas quanto aos trinta. Nós que fomos criados em meio a todas as grandes possibilidades. Adolescência nos anos 2000, falávamos de robôs, ninguém duvidava do homem na lua e nem na possibilidade de uma viagem interplanetária. Era tudo muito possível. E a chance de ser qualquer coisa que quiséssemos era praticamente uma certeza. O que sempre ouvíamos era que bastava acreditar – valeu, Xuxa – tudo que você tiver que ser, será. Então a gente quis. E quem não quis, queria querer. Mas a vida, como dizia Joseph Climber, é como uma caixinha de surpresas.  E nossa juventude veio e com ela trouxe as várias atividades que deveríamos desempenhar – tudo ao mesmo tempo – porque afinal, a internet está aí. E se a gente quisesse, conseguia.

Os vinte foram os anos mais divertidos. Eu sei que foi para você também. Nem adolescentes que precisavam pedir permissão aos pais, nem adultos que precisavam pagar todas as contas. Fora a energia – como tínhamos energia!  Ela meio que dá uma bela diminuída depois dos trinta. Porque as costas doem, como cantou a Sandy muito sabiamente. E dormir muito tarde vai dar uma baita ressaca e dor de cabeça durante aquela semana de finalizar o projeto no trabalho. Não rola mais deixar de dormir. E nós gostamos de dormir. Dormir é legal. Aproveite isso, jovens! Ou não. Viver os seus vinte é ainda mais importante e depois você terá os trinta e poucos para se lembrar de como era (e dormir).

Não que a gente não se divirta. Mas a forma que fazemos isso também muda. Há exceções, claro, mas tem uma atração muito forte em sentar numa mesa e conversar com amigos. Receber pessoas na nossa casa. Música ambiente. Ou noitada com uma hora definida pra acabar – eu disse noitada? Desculpa, erro meu, eu quis dizer um show daquela banda que a gente ama. No máximo um barzinho com música ao vivo. Balada, noitada, esse negócio de gente no escuro e música muito alta já não é a coisa mais legal do mundo. A gente tenta, às vezes, mas é muito cansativo ficar em pé a noite toda, uma galera que não sabe beber arrumando briga ou fazendo aquela vergonha.  E no final, a gente ainda estraga aquele sapato que ainda estamos pagando a parcela. É, não vale a pena.

E essas mudanças todas aconteceram no meio do caminho, sem que a gente de fato notasse. Porque a gente se sente ainda com vinte anos. Entre uma entrega do trabalho aqui, um aniversário ali, a gente foi trocando nossa pele, adquirindo novos hábitos, deixando os antigos de lado. Muitas vezes – a maioria delas, sem perceber que fizemos isso.  É realmente chocante chegar aos trinta e notar, talvez justamente por causa desse marco, que nós mudamos. E por mais jovens que a gente ainda seja – e somos, não somos mais os mesmos jovens. 

Temos sonhos para realizar, objetivos para cumprir, conquistas a serem conquistadas! Nossos passos parecem tão incertos, mas talvez eles não pareçam assim para as outras pessoas. E se parecer também, o que importa? Está todo mundo tentando se encontrar. E tudo bem, isso é a vida. Não tem um caminho único, nem um jeito só de se fazer. A vida é como o LEGO: a gente vai montando peça por peça. Ora ou outra tem que tirar algumas pecinhas e colocar outras.

Esse portal invisível existe? Eu acho que sim.  Agora temos uma bagagem maior, uma visão diferente e uma compreensão da vida mais ampla. A gente diz pros adolescentes “ei, calma!” porque a gente sabe que a estrada é grande porque já passamos por isso. Mas os mais velhos dizem a mesma coisa para a gente: “Ei, calma! Os trinta são maravilhosos. Como eu era novo!”. Então, meu jovem de trinta anos: calma. Aproveite a viagem. Esse portal te levou para uma temporada nova e só é preciso você curtir esse presente que é o presente. Não se apegue tanto ao passado, nem se preocupe tanto com o futuro. O que dizemos aos adolescentes ainda é verdade para a gente: “essa é idade é maravilhosa, aproveite”.

Então passe por esse portal com tudo. E será!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

in halves

 Split in a way I never thought would be possible

I have experienced break ups before. I have cried and risen up.

After the storm, what comes is supposedly a calm, but after your storm what came was not exactly it.

I fell I'm split in half and these two parts of me do not complete each other.

Do you have any idea of what you have done to me?

I loved you so deeply, so honestly... I cannot connect with that person who loved you anymore.

I can't let her go either.


You are just a shadow now, a memory and it's so weak.

How come I feel that I'm still holding on in you? How come I feel I'm still waiting somehow for you?

I dreamed three nights in a row with you and woke up lost.

You don't deserve me and you don't even care.

And I'm tired of settling for less. 

I don't want you anymore, and I am not able to want anyone else.


I'm in halves.

Moving on, going forward, but still carrying it with me.

It's a tail stuck in my feet.

I'm going ahead, not looking back, but there's a rope keeping me close enough to still know you were there.


I revived our conversations, I revived all the stuff you have me been through

and I understood all my friends were always trying to alert me of.

And still, here I am, comparing everyone to you.

Comparing everyone to what you were to me.

I'm in halves.


Exhausted of trying to put pieces back together

I gave up the glue and I'm building new ones.

And still, brand new shapes don't seem to fit halves.



terça-feira, 26 de setembro de 2023

Letter

 

I loved you so much. And I waited for you for months and months. I tried to explain your lack of action, I tried to justify your clear moving forward without us. I tried to say to me there was an explanation. As always, I was trying for both of us, and so hard. And even now, it makes me so sad, letting this hope go. Make me really sad realizing how little it all was for you.

You can say that it was me who walked away, who broke up, but you know this is not true. You broke up with us first. You were not there, you were not committed to us, I just gave words to your actions.

How little did I know you? Back then, I thought I knew your heart.

This is a letter that I’ll never send to you. I feel embarrassed of showing how much I still care, and honestly, I’m afraid of what kind of response I would have. But you’re right, you sticked to yourself. It was me who acted as a fool. But I don’t regret. I did what I thought was right, I was honest with myself, with my feelings and my hope. Even when you were slipping through my fingers, trying to hold the memories was everything that I had. It was the only way to keep you with me for a little more. I wasn’t ready to give up then. Waiting for the next day, hoping the next day was the day you would come back.

Can you believe? Even now, I ask myself if I would accept you back. If I would be able to love you again with the same freedom and trust. I fought so hard for you, you will never know how much. I fought hard for me as well, in the worst days of my life, when I was throwing out everything that could make me sink in sadness, trying to save me and my boat, I still saved you inside of me. I took out all the accusations, I avoided hating you, being angry with you. I kept you inside the bottom of my heart and faced everything trying to not harm the memory I had of you.

I forgave you when it looked impossible. And I kept loving when it hurt me. I said no to anxiety thoughts. However, It was not enough, it seems, because there was something missing. You side. Always, your part. And I just don’t have option besides closing this door. You always knew where I was. I have been letting clues everywhere. It was just not what you wanted, I got it. I'm gonna accept it, and I will respect your choices.

So I think it’s goodbye.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

 I've been a fool

Hoping you care

Desiring us so badly


Just a fool


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Should I?

 Over the last months, my feelings were made of a new substance

I hated and loved you with the same intensity

I wanted you and at the same time I didn't want to 


Over the last months, you were a big question in my mind

And I'd love to say I have an answer now, but I don't


I discovered that's possible to live

even to have joy and feel happy

when you feel that something really important is missing


I don't know who you are anymore

I don't know your thoughts

I don't remember so well many details of us

But I do remember the color of your eyes

And the way you smiled at me


I remember you have a mole on your nape

and I remember the texture of your hands on mine


Honestly, I feel so dumb

Having so much of you in me yet. 

And I feel so sad

Losing so many memories.


Should I hold on that or should I just let go?


As the time goes by, I'm getting used to this emptiness

and fearing what it means.

I fear having hope and fear not having.

I fear missing you so deeply and fear not missing.

I am so afraid of us. Are we something that is never gonna work?

Or are we just a good match that found each other at the wrong time and who made wrong choices?


Would you change anything if you could?

Or Am I the only one thinking about this?

Are you going to be just a memory for my entire life or will we have another opportunity to make it right?

I miss you so much, lindo. So much. 

And I don't even know exactly what I miss.

But I don't wanna be in the same place again. I don't wanna feel as a person not valued anymore.

I don't wanna be so dependent of you. I don't wanna feel so disposable.


Should I tell you all that? Or should I just kept all to myself and swallow together with my feelings?


We were not perfect together, there were so many things to be better

but we were not that bad, you know? We had so many good moments. 

I just don't know if they are enough.


domingo, 30 de abril de 2023

none

 I hate and I love you.

I hate and I love you.

I hate you sou madly that sometimes I forget how I love you.

I hate loving you.

I hate thinking of you.

I hate and I love you.


I hate that you don't love me.

I hate you going away so easily.

I hate you and I love you.

I hate you and I love you.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Confessions

 That's very strange don't have you in my life anymore.

The days go by and I cannot share with you my thoughts, I don't know what are you thinking, how has your life been. Are you alright? 

I ask myself if you feel the same.

If you think of me.


It starts to seem so strange still feel connected with you somehow even though I don't know if I still know you. Two months and it still hurts quite a bit. 

I mean, I cannot force you to love me. And I definitely don't think I have to force someone to be loved. I told you I deserve more, but... I always wanted the more to come from you. Because It was always you who I loved.

I cannot help myself of asking if I am in your thoughts and if you miss me as I miss you. Sometimes I'm just hit with the reality that probably not. You didn't say a word to me, you never told me to stay. You never showed me that I was important to you.

That's strange how it works. Loving and not being loved back. But I did and I still do. And I just hope and pray that you find me inside of you.


sexta-feira, 7 de abril de 2023

disconnected words

 Do you think of me?

Do you regret anything you did?


It's not a movie, you know

our lives. 

I don't have how to know you love if you don't tell me

I don't have how to know if you don't show me


If I cared less it would be so much easier

But I need to stand by myself

And what you were giving to me was not enough

Besides loving you so, or exactly because I loved you that way

It wasn't enough, babe.


You are stuck being a child

You don't want to grow up and be a man

But I'm a woman. I cannot pretend not care

I deserve being loved and I deserved more


I tried to make you give me all that

and it's just wrong

I would never tried that

because if it's not given freely it's not love


But I believed in us so hard

and I don't even know in what believe anymore

All my certain dropped and vanished

It's your turn, if you want to, to believed for both of us

Lost and soft

 Among all the stories they told us

Among all the plan we made for us

What is in front of us now?

What is just in front of us?


I've cried all my tears out

I've danced the whole dance and more

kept spinning by myself

Hoping it's going to start playing again


What's in front of us now?


I dreamt about your eyes

and all your kisses in my face and my head

I can see the smile you had while looking at me when I cooked

I wanted it all, you know? I wanted it all.


But you didn't love me enough. You didn't love me.

It was so comfortable for you, it was so easy

Because I "planted" all my girders and "built" my roots

I drew all the lines to find you

I gave it all and you let me walk away without hesitation


What is in front of us now?


I don't wanna come back to that

besides keep holding onto you so tight

I don't wanna be in thar place again

besides wanting you so badly


I don't even know anymore what to expect

because I'm afraid you and that place are attached as hell

You cannot fight for me or maybe you don't want

doesn't make any difference now. 

It's all the same.


Our 23 kids running are fading away

Our past is vanishing.

Our future was just a mirage, my mirage.

What is in front for us now?

domingo, 2 de abril de 2023

Broken-hearted three times in a row

 Babe,

You broke my heart. Deeply.

And you did it while I was 

living one of the most vulnerable moments of my entire life.


You broke my heart for not loving me back

You broke my heart for not caring.

You broke my heart for being such a selfish,

thinking only and only about you

that you couldn't take a moment

just a moment

just a little second of your self centred life

to look at me and see how deeply I needed you to be my support.


I told you many times

that I was there to be your partner

to be with you

to help you

to support you

to not let you down

But you were not able to do the same to me


Babe, you broke my heart

and I almost broke together with it.

I saw my pieces on the mirror, on the floor, on my inner

I saw the scars and the fragilities

I saw it. 


Babe you broke my heart

almost my soul.

But I'll not let me down.

I'll be here for me. With me.

I'll support me and help me.


I'll go through it.

I'll face my weaknesses and recover my pieces

Rebuild myself, rebuild my hope.

And somehow, stop caring about you,

Stop loving you.

And then, have my heart fresh and new.

domingo, 17 de julho de 2022

C.R.F

 

Uma cicatriz ainda é uma cicatriz, não importa se foi feita por um cirurgião ou por um machucado bobo, não importa quanto tempo ela existe, não importa muita coisa.

Ela continua sendo uma cicatriz.

Existe um caminho feito dentro de mim onde o caminhão passou por cima da minha ingênua ilusão sobre você. O caminhão foi pesado e abriu sulcos na terra, deixou a marca dos pneus, saiu levantando terra. O que resta agora além de tentar aterrar e consertar os estragos?

A cicatriz ficou.

Há marcas de você na minha memória. Há lembranças da cor dos seus olhos, da forma que você ri, de como você andava meio sem jeito antes de ir comprar café. Há marcas de como você posicionava a sua mão no meu pescoço e como eu sentia um arrepio na espinha. Há o seu cheiro e o seu calor. Há marcas suas aqui.

Não é que eu as queira. Eu não quero. E ainda assim não consigo abrir mão.

Do que achei que fôssemos, não restou nada. Levantou o pequeno pé com raiz e tudo.  Como um vendaval – repentino, assustador e incontrolável.

Você se fez um estranho com a mesma rapidez que se fez relevante.

Quem é você, afinal? Aquele que me deixava deitar em seu peito e me abrigar no seu carinho ou o que parou de se importar no intervalo de algumas horas? Quem é você? O que você sente, o que você pensa, como você enxerga a mim quando – e se – olha para trás?

Não assimilo a pessoa com quem eu tinha tanto em comum – com quem era fácil sorrir e estar – com esse estranho que me olha de volta quando vejo sua foto.

Me sinto tão boba agora por ter acredito tanto em você e tanto no que achei que existia que não fui capaz de me impedir de fechar os olhos. Tudo que você fez foram só formas para me enganar ou houve alguma verdade naqueles momentos? Foi calculado ou foi verdadeiro?

Há marcas suas aqui que eu não consigo apagar. Eu as ignoro. Ignoro até que seja fácil, vou ignorar até que elas não pareçam nada além de uma cicatriz branca, antiga, já esquecida. Mas uma cicatriz ainda é uma cicatriz.

Você percebe que quando foi embora, me tirou não só os beijos e a ilusão, mas me tirou também um amigo? E eu agora não se dizer se alguma coisa foi real. Do que valeu tudo que éramos compatíveis, tudo que parecíamos confluir? Você desafinou todas as notas quando parou de tocar.

A música realmente tocava enquanto eu estava dançando ou eu estava escutando só o que você queria me fazer escutar?

Há marcas de você aqui, marcas dos seus dedos, dos seus beijos, dos seus discos, da sua playlist, dos seus óculos de intelectual.

Há marcas minhas em você? Há alguma cicatriz, há algum arrependimento em você sobre sua decisão? Ou foi fácil ir embora do mesmo jeito que foi fácil chegar?

Tudo me lembra você. O que eu odeio. Odeio que você tenha peso ainda em qualquer coisa que seja. Mas tudo que quero odiar por sua causa me lembra você. E tudo que eu amava em você, me faz distante dos outros. 

Há marcas de você aqui. Marcas tão sutis que eu me distraio até me deparar com uma delas, me lembrando do que foi. E me lembrando de que talvez nunca tenha sido.

Me responde, alguma coisa foi real?

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Eu não uso óculos.

Quando eu era criança, eu tinha uma loucura por usar óculos. Se eu for honesta comigo mesma, eu ainda tenho uma vontadezinha de usar óculos de grau. Não por querer ter problemas oculares - na verdade, morro de medo. Gosto de ter a visão perfeitinha, sempre elogiada pelo oftalmologista. Então você pode se perguntar, por que eu queria usar óculos? Aqui os óculos se tornam apenas um acessório, como muitos que usamos na vida - abstratos ou concretos, emocionais ou racionais, simbólicos ou não. Quando me vejo de óculos me sinto mais intelectual. Sinto que as pessoas poderiam me enxergar com mais seriedade ou mais respeito, me dá um diferencial, ganho uma certa notoriedade. Uma Thainá usando óculos de grau tem um apelo totalmente diferente e gera uma percepção totalmente diferente nas pessoas ao meu redor. De repente me sinto mais interessante, embora a pessoa que eu seja não tenha mudado em nada. Como os óculos, temos nos baseado em acessórios em nossa vida para a forma como queremos ser vistos.

É normal que vivendo em sociedade, queiramos ter funções e assumir papéis diante de nossos amigos, familiares ou pessoas a quem admiramos. Todos querem ser admirados: pela sua beleza, inteligência, habilidade ou parcimônia. Por que ser admirado é assumir que somos importantes, temos relevância para alguém, somos apreciados.

O que está sendo, na sua vida, os seus óculos? O que você tem usado como máscara para ser aceito pelas pessoas, para se sentir melhor, mais admirável, mais legal, mais popular? O que a sociedade - e aqui, lê-se seus amigos, professores, pessoas a quem você admira e sente vontade de agradar - exigem de você, ainda que de forma muito sutil, para que você tenha esse sentimento de pertencimento, parte do grupo ou até sentir-se apreciado pelas pessoas?! Será que você tem moldado suas opiniões para que elas caibam dentro do que o grupo "espera" para que assim você se sinta um deles? Será que você tem feito coisas, que talvez nem achasse assim tão interessante fazer, para estar com a turma? Será que tem se calado - não dividindo seus reais pensamentos - por medo de ser excluído ou ser massacrado pelas opiniões dos que te rodeiam?! Esses podem ser os seus óculos.

Um acessório que te dê esse selo de aceitação pode ter muitas formas: um piercing,uma tatuagem, um namorado, um celular de última geração, uma opinião ou a falta dela, um comportamento,... Podem ser vários ao mesmo tempo.

A época de formação da personalidade é provavelmente a época de maior desafios no que concerne a aceitação por parte do grupo - tornando a adolescência e o início da fase adulta complexas - por causa disso. Estudos¹ costumam concordar que o desenvolvimento da personalidade vai até os 30 anos. Ou seja, é durante a segunda década de vida que vamos nos tornando menos passíveis de mudanças drásticas em nossa personalidade, embora essas ainda ocorram. Quando nossa personalidade está formada, não somos tão influenciados por aquilo que os outros esperam ou pensam de nós - ter consciência da própria identidade não está totalmente associada a idade, mas também não é desconectada. Assim, é no momento de maiores mudanças na nossa vida - fim do ensino médio, escolha de uma profissão, início da vida profissional, entre outras - que estamos mais suscetíveis a opinião do outro para a formação de nossa personalidade, justamente porque tendemos a querer sermos aceitos e ao estarmos em ambientes novos, desconhecidos, onde ainda não temos o sentimento de pertencimento, estamos mais ansiosos em fazer parte do grupo.

Apesar disso, com nossos vinte e poucos ou no período pós-"maioridade" (18+) temos o costume de nos sentir maduros o suficiente para sabermos de tudo. E com isso, abrimos brechas para sermos impulsivos em abraçar bandeiras, assumir papéis e defender ideias. Não me surpreende que as Universidades formem tantas pessoas com o mesmo viés ideológico de seus professores - sem entrar em méritos, só constatando. Aqui temos um fenômeno que não é apenas ligado ao pertencimento ao grupo, mas na relação de admiração, oportunidades e autoridade. Um Professor é a figura de autoridade² não apenas pelo cargo que ocupa, mas em determinado assunto, por pesquisas e por personificar a figura de conhecimento. Nós admiramos aquela pessoa pelo seu amplo conhecimento em determinado assunto e temos a tendência de acreditar que o ela diz sempre advém desse conhecimento, dessa "sabedoria" inspiradora. Portanto, acreditamos fielmente em coisas que muitas vezes é apenas uma opinião, não algo baseado em fatos. Embora eu cite o ambiente universitário, obviamente o mesmo se dá no ambiente escolar, com a diferença de que na escola, o aluno está muito menos exposto a algumas circunstâncias como o impacto da política na vida cotidiana, custo de vida, a necessidade da tomada de decisões a longo prazo, etc.

Com isso, percebemos como a mente está exposta aos ideais que serão compartilhados como verdades absolutas, ainda que estes não sejam. Vamos comprar ideias sem nunca termos analisado sequer seus preâmbulos, quanto mais os assuntos mais profundos e toda sua complexidade. É necessário ter em mente que assuntos humanos nunca são exatos. É difícil discutir temas como identidade de gênero, aborto ou muitos outros, pela superfície - e nem sequer deveríamos, pois eles são COMPLEXOS e, portanto, para não sermos injustos com o tema e as pessoas envoltas neles, precisamos ter sensibilidade - eu diria humanidade, até. E não se encontrará uma concordância, alguns pontos ficarão por conta de seus valores morais intrínsecos. E também não significa que a verdade seja relativa porque ela não é; existem fatos incontestáveis e numerosos sofismas que precisam ser avaliados como positivos ou negativos, além de apenas verdadeiros. A falta de bilateralidade nas discussões em nível acadêmico tem gerado e alimentado problemas diversos no seio da sociedade: intolerância, desrespeito, falhas de comunicação, laços familiares desfeitos, ódio, porfias, etc.

Creio que jovens tem assumido posições políticas e sociais como acessórios. A pressão social e do grupo tem levado esses jovens a opiniões rasas, porém populares. Geralmente essas visões são difundidas como sendo moralmente corretas, intelectuais e de um modo geral, boas; enquanto tudo que se difere destas, mesmo que minimamente, é intolerante, preconceituoso, ignorância e, em geral errado. Quando tentamos suprimir visões de mundo diferentes por meio da coerção, pressão social, ridicularização e até de ameaças, isso sim é intolerância, preconceituoso e estúpido. Infelizmente, chegamos a um ponto da racionalidade que não se faz a análise de posturas e muitas vezes essas despertam justamente das figuras de autoridade que deveriam, seja pela experiência, pela idade e até pelo conhecimento, impedi-las. Outros casos, há tamanha confusão nas explicações de algumas bandeiras que muitas pessoas sequer compreendem o todo, mas se sentem impelidas a defendê-las.

Imagine só, o desastre que seria se eu usasse um óculos de grau meramente pela necessidade de ser aceita pelo grupo? Quantos malefícios eu traria para a minha visão! Eu poderia deturpá-la para sempre, de forma a nunca mais conseguir tê-la perfeita. E talvez eu nunca viesse a sequer perceber o estrago que causei. É a mesma coisa com os acessórios que usamos em nossa vida: que grande prejuízo eles podem causar, não apenas para quem os usa, mas para aqueles que o cercam. Então eu pergunto, quais acessórios você tem usado em sua vida? Que tipo de bandeiras você tem defendido e levantado, sem realmente conhecê-las, sem realmente compreendê-las - conhecendo as premissas das demais- para ser visto como alguém inteligente? O que você tem aceitado fazer para que o grupo o enxergue como um deles? Que tipo de valores morais você tem suprimido para não ser ridicularizado?

Cuidado com os acessórios que você tem aceitado.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Testando o amor (?)

Peço previamente desculpas a quem eu inevitavelmente vá ofender. Não é a minha intenção. Mas te convido a refletir comigo sobre aquilo que vou falar, não porque estou completamente certa, mas porque talvez eu te traga uma visão que você nunca tenha percebido.

Em meio a tantos novos relacionamentos, a tantas mudanças e possibilidades que se desenham conforme a sociedade vai se percebendo, a ideia de construir algo com quem se ama permanece sendo atrativa e aos que estão apaixonados, torna-se mais um destino do que um sonho. Apesar de todas as mudanças do mundo, a instituição mais antiga de todas continua a ter seu appeal. O casamento é ainda a conclusão óbvia, para a maioria, que ama.

Mas o casamento muito mais do que uma festa, um enlace, um documento, é como eu disse, uma instituição. Institui-se que duas pessoas se amam a ponto de aceitarem seus defeitos, suas qualidades e decidirem que não importando o balanço do mar, as tempestades e as ressacas, querem estar juntos. Crescer juntos. Construir juntos. Passar por essa vida tendo o outro como o principal suporte, amigo, companheiro e algo sem nome que significa o misto de enxugar lágrimas, de tirar do sério, arrancar as gargalhadas mais idiotas, te ver no seu dia mais maravilhoso e no seu pior dia, fazer massagem contra cólicas ou ter a permissão de te ajudar nos dias de vômitos, diarreias e outras coisas grotescas do ser humano.

Casamento é uma instituição com nuances diversas, mas sempre de amor e cuidado. Sempre de trabalho e dedicação. Sempre de aconchego e espaço.

Então me incomoda que sejamos tão simplistas e tão metódicos com algo que não tem regras. Não há padrão. O que quero dizer? Bem, me refiro a algo que vejo se repetir muito que é essa ideia de que antes de casar deve-se testar para saber se dará certo: morar junto. Tenho plena convicção que existem casais que moram juntos e são muito mais casados do que outros que tem papel passado. Veja bem, não falo de morar junto o ato, mas a ideia de que esta seja uma condição racional e pré-casamento.

Quando supõe-se que você vai testar, está muito explícita a ideia de que você pode concluir que está ruim. Foi engano. Trocar, querer outro. Perde-se todo o sentido de construção e estabilidade. Perde-se o foco de que quando você decide viver sua vida com alguém, pode inevitavelmente ter sido um erro, mas devemos procurar o acerto. 100%. Há quem diga que não existe uma pessoa só para nós, não existe alma gêmea. Concordo, não existe, mas isso não significa que a pessoa que escolhi não possa ser a única com quem eu viva. E ser feliz com isso.

Testar me dá a terrível sensação de exame. De ser aprovado ou não. E será que você pode ser testado? Seus sentimentos, dias ruins, teimosias, defeitos. Qual pode ser sua nuance para que alguém te defina como um erro? Conviver é a coisa mais difícil do mundo. Mudar e se adaptar diariamente. Quando você casa com plena certeza de que aquela é a pessoa, se faz claro que você quer entender e enfrentar os dilemas. Não se constrói nada forte e edificado sem quebrar algumas rochas, errar uns sustentos, recomeçar uma parede. Mas continuar, corrigindo aqui e ali, mas continuar. Não se constrói nada muito forte com testes. Testes são abandonados ao ter suas conclusões: bom ou ruim. Pronto para a outra.

Me ofende que alguém que eu ame me olhe e não tenha a certeza se sou suficiente a ponto de me sugerir um teste. “Te amo, mas talvez você não seja assim tão bom”. “Te amo, mas não me arrisco”. “Te amo, mas sabe como é”. Bem, você sabe como é, pode haver alguém melhor no caminho. Que desastre. Talvez você durma da maneira errada. Talvez você deixe a pia da louça na pia de um dia para o outro. Ou largue a roupa suja no chão do banheiro. Ou não faça a cama quando se levantar.

Ignoramos que todos possuem defeitos, procura-se defeitos que eu conviva por mais tempo ou invés de procurar qualidades que eu queira por perto. Quando se quer testar acaba com toda a qualquer reserva daquilo que o poeta disse ser um mergulho no escuro. Não, mergulhar não, eu entro aos pouquinhos e conforme a minha predisposição.

Criamos relações frias, sem entrega, sem disposição para o cuidado e a dedicação. Quero muito meu espaço e o meu jeito e  esqueço de abrir espaço também e aceitar o jeito do outro. Ao “morar junto”, sem as amarras e sem a disposição de ser melhor todo dia, resumimos uma decisão para a vida toda em uma decisão que vá até a minha paciência. Perdemos a chance incrível de perceber que há mais depois, que há consertos e há reparos. E há relações que ficam ainda melhores depois das pequenas aparadas dos fios soltos.

Testar é uma pré-disposição de construir um relacionamento descartável com alguém que considero potencialmente descartável. Um possível acerto, uma probabilidade matemática, um zero decidindo em qual lado vai ficar. Numa briga, pego uma mala e desfiz os laços. Passo os dias pesando prós e contras, qualquer coisa feita se torna um possível tópico numa lista. A decisão não é feita a partir  da minha vontade de crescer e construir uma vida em comum com o outro, mas na hipocrisia de uma balança de benefícios.

Testar, me parece a pior maneira de se começar uma relação que mais do que status e mais do que estado, deve ser uma instituição.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Primavera Secundarista e o inverno social

Uma aluna do Paraná foi até a tribuna do Estado discursar. Embora suas ideias não concordem com as minhas sobre os meios, acredito que temos o mesmo objetivo. Estudantes secundaristas, eu acredito na intenção de vocês. No apelo de vocês. Acho importante e especial que tenhamos espaço de discussão desde cedo. Os estudos diversos sobre educação mundial apontam que o ensino médio(não necessariamente com este termo) PRECISA ser um espaço reflexivo. Voltado ao senso crítico. Eu concordo. Não se faz cidadãos sem base crítica e retórica, não se faz reflexão sem conhecimento. Precisamos de prática e até mesmo de guia. Mas, eu me entristeço em dizer que vocês tem ao lado de vocês esferas da sociedade que querem abusar de suas iniciativas. Aprendi que ainda não temos condições de fazermos movimentos sem bandeira, sem partido. Vocês estão sendo influenciados e/ou incentivados por bandeiras, por pontos de vistas que não podem deixar de ser políticos e partidários.

 Há provas contundentes na história mundial apontando que certos movimentos sociais incitam a estruturação de um modelo falido de sociedade. Um modelo utópico que ignora os desejos individuais de cada um de nós. Um modelo em que NUNCA uma estudante estaria sendo recebida pelo seu Estado para ter suas palavras ouvidas. Nem sequer apenas assistidas. Um modelo que iguala por baixo, incentivando ainda mais uma divergência entre população e Estado. Vocês deveriam saber disso, está no currículo ensinar a formulação e os conceitos dos estados socialistas e capitalistas. O segundo tem problemas, MUITOS problemas, mas em comparação ao socialismo ele é um paraíso. Não precisa concordar comigo, mas compare. Compare a história. Pense na realidade do ser humano, em seus desejos, seus estímulos, naquilo que nos move.

 Ao assistir sua par discursando o que mais me incomodou entre suas muitas divergências comigo, foi a ideia de que o Estado foi responsável pela morte do estudante Lucas. Ela citou o ECA, alegando que o Estado é responsável. Mas preciso dizer que vocês muito se enganam quando transferem essa responsabilidade. O estudante estava num local de responsabilidade do Estado, porém, ao ocuparem esse espaço voluntariamente, em comunhão, vocês também expulsaram a presença do Estado. A presença de policiamento, por 'n' motivos, foi impossibilitada. Vocês disseram "não" a presença e ao cuidado do Estado. Poderiam estar pedindo apenas a não proibição, a não intervenção, mas uma consequência disto, foi ter para vocês todo o espaço e responsabilidade do que acontece ali. O aluno estava consumindo junto com seu assassino substâncias ilícitas. Novamente, voluntariamente. E a briga que levou ao óbito também ocorreu em decorrência dessa droga. Não culpe o Estado por uma instabilidade que o espaço ocupado de vocês permitiu, que a falta de segurança e controle permitiu. Que a falta de líderes e responsáveis permitiu.

A sociedade sente a morte de suas crianças e adolescentes e sofre por isso, mas não a acuse injustamente querendo isentar o movimento de vocês do que ocorreu. Somos responsáveis pelas nossas atitudes. Somos responsáveis, ainda que fora de uma esfera criminal, por aquilo que cabe a nos escolher. E vocês escolheram, ainda que por um motivo nobre, se colocarem em perigo. Vocês estavam cientes disto. Somos animais. E quando colocados sob pressão em circunstâncias estressantes, ainda mais quando usamos de substâncias que nos tiram de nosso total controle mental, longe dos olhos da lei, estamos criando problemas para nós mesmos.

A responsabilidade é de todos vocês que se colocaram ali, de quem teve a ideia, de quem estava liderando, de quem estava incentivando. Principalmente dos adultos que estavam envolvidos e não se importaram com a segurança de vocês! Principalmente dos adultos que deveriam estar zelando pelo respeito às leis ainda dentro desse espaço. E por fim, a responsabilidade foi dos dois envolvidos que além de todos esse viés, além de usar de uma droga sintética se permitiram entrar em confronto um com o outro como meros animais e não racionais. O Estado não estava ali dentro porque vocês mesmos o tinham expulsado.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quem é o meu Deus?

Ele tem vários nomes. Ele é espírito. O alfa e o ômega. O único. Onipresente,  onisciente. O princípio e o fim.

No mais,  ele é Deus. Gosto da descrição que diz que Deus não precisa de mim. Pelo contrário, eu preciso dEle. Você precisa dEle.

O meu Deus é bondoso,  misericordioso,  maravilhoso, Grande, benigno,  soberano.  Ele é Pai,  mãe, irmão mais velho.

Por que Ele nos criou? Bem, porque Ele criou todas as coisas e viu que era bom. Criou em sete dias. SETE Dias do tempo dEle, não desse nosso que conta a partir de um relógio e de um ciclo de 365 dias. Mas depois de criar tudo aquilo,  Ele não tinha quem usufruísse, quem compartilhasse de Sua grandeza,  de suas maravilhas. Então Deus nos criou.

Enxergo a decisão de Deus em nós criar como a decisão de um casal de ter filhos. Ele queria ensinar, nos amar, nos ver crescer e ser feliz. Queria compartilhar da nossa vida. Deus, para mim, é Paternal. Maternal. 

Ele,  com certeza,  não é um pai contemporâneo. Ele não é o Pai que faz vista grossa aos erros dos filhos ou que dá tudo de mãos dadas sem que o filho se esforce. Ele não é o Pai que vai passar a mão na cabeça do filho nas coisas em que ele erra. Ao meu ver, Deus pode até nos proteger daqueles que querem nos denegrir,  agredir ou desmoralizar. Mas se estamos errados,  Deus conversa sério conosco e diz que estamos errados e que não podemos continuar no erro. Ele não nos humilha e tampouco dá castigos absurdos.

Deus é o Pai que permite que a gente lide com as consequências de nossas escolhas. Escolhas essas que Ele nos permitiu ter. Ele, enquanto pai e mãe, não quer nos forçar a amá-lo. Ele nos ama e espera que façamos o mesmo de forma espontânea e verdadeira. Deus não te segue pedindo para ser visto, Ele espera que você perceba todas as coisas que Ele faz por você e sua vida. Ele acompanha seus passos,  te levanta e cura suas feridas, mas muitas vezes faz isso através de terceiros.  Porque Ele não quer te colocar na situação de precisar reconhecê-lo, te impedindo de escolher e te impondo a presença dEle. Deus é tão maravilhoso que ele não faz nada esperando reconhecimento. De nós Ele quer amor sincero.  Amor de um filho ao seu pai. Gratidão dada e não exigida.

Deus não é o pai que vai te tirar da balada a força. Pelo contrário,  ele dirá que tudo é permitido, mas que você precisa saber o que te convém. E o que me convém é aquilo que não vai deixar meu Pai decepcionado comigo.

Como um bom pai, devemos a Ele temor.  Respeito. E Ele é nossa segurança,  refúgio e sentido. Como com uma mãe recorremos a Ele com lágrimas nos olhos,  pedindo colo. Pedindo consolo.  Quando temos intimidade com Ele entendemos Sua maneira de nos enxergar e a esse mundo. Entendemos suas ações para nossa vida. Entendemos que mesmo quando Nos priva de algo que queremos, Ele tem um ato de amor.

Se alguém fala mal de seu pai/mãe, ainda mais quando não é justo,  você se revolta. Ainda que Deus diga "filhinho, não faça isso, dê a outra face. Não cabe a você essa luta.  Apenas me ame e me deixe te amar". Deus conhece nosso íntimo porque uma mãe conhece aos que ela carregou tanto tempo em sua barriga e ainda mais tempo em seu coração. Deus nos ensinou com zelo nossas habilidades. Querendo que fizéssemos com elas o bem uns aos outros e nos ajudasse a viver no mundo.

Deus não quer que briguemos com nossos irmãos. E não precisa que irmão denuncie irmão. Não precisa que irmão julgue a pena do irmão. Ele fará isso no tempo correto,  com os motivos corretos e com a justiça que só cabe a Ele. Porque nossos pais sabem avaliar melhor quem somos e o quanto seguimos os seus conselhos e obedecemos suas ordens. Mas no dia em que nosso Pai for ter a conversa derradeira, não haverá mais chances para segundas chances e quem não O temeu e não O reconheceu não poderá entrar em Sua casa e se sentar ao Seu lado. Naquele momento Deus dirá que também já não te quer mais.

Deus dá ordens. Deus nos alerta. Deus nos aconselha. Não nos obriga, mas nos diz o que vai nos afastar de Seus caminhos, o que vai enfraquecer a confiança que tem em nós e o que vai magoá-lO.

O meu Deus, o mesmo Deus que abriu o mar para salvar seus filhos e curou os leprosos, também incendiou cidades e limpou a terra com o dilúvio. Deus não erra. Mas um pai também se revolta quando não obedecemos e só fazemos coisas que O envergonha.

Deus não está dormindo. Deus não está ausente. Não não está lavando Suas mãos. O meu Deus está presente e vivo. Ele ouve e responde aqueles que colocam seus ouvidos atentos. Ele cuida e observa. Ele afaga nossas feridas. Mas Deus não chegará a quem O rejeita porque respeita a escolha feita. Deus não põe uma roupa colorida e pula no mundo fazendo shows pirotécnicos porque Deus não é um pai que envergonhe Seus filhos e nem escolhe o destino no lugar deles.

O meu Deus espera. E em troca de tudo que Ele faz, Ele pede que eu, enquanto isso, não faça nada que Ele não faria.

Não é fácil agir como nosso Pai/Mãe,  mas devemos sempre seguir o Seu exemplo e tentar melhorar.  Cientes de que os filhos que estiverem fiéis aos seus pais,  estarão mais perto daquele presente maravilhoso e tão aguardado que foi prometido. O melhor de todos.

Não sei quem é o Seu Deus. Não sei como você enxerga o meu. Mas meu Deus não faz mal a ninguém por causa de um pedido meu. Meu Deus não quer o sofrimento,  não visa o próprio interesse, não exige de mim homicídios ou sacrifícios de animais. Porque meu irmão mais velho, aquele mais próximo do meu pai,  aquele que foi o primogênito e o mais chegado, já assumiu a culpa dos meus delitos. Ele me protegeu e pediu ao nosso Pai para deixar que Ele cuidasse das responsabilidades. 

A minha família é de amor.  E eu,  filhinha,  sou amada e cuidada o tempo todo. Não há Deus maior que o meu. Porque o meu me trata como filha. O meu me ama primeiro. O meu nunca terá de mim tudo o que Ele merece.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Caimento

Onde, exatamente, fica o topo do mundo? Me diga que eu juro que vou.
Vou encontrar uma estrela, um barco, um chão.
Me diga onde é o topo que procuro dentro de mim uma maneira de chegar.
Nesse oceano de sentimentos, nessa imensidão de pensamentos.
Onde fica a borda? Quero tocar nas estrelas, sentir o suave frescor de nuvens de algodão.
Não sei como é esse mundo, lá fora venta e as janelas chiam. É como se eu andasse entre árvores gigantes, num chão de terra batida cheio de sonhos mortos. Numa bacia à mesa, lágrimas que não chorei, são lágrimas de quê? Lágrimas de quem?
Por quem eu choro? Pelo o quê?
O mundo pode ser uma caixa de papelão vazia, embocada contra o chão, escura.
Como se gritos ecoassem pela cidade isolada.
Se fecho os olhos quase posso perceber a tristeza.
Ela sempre esteve aqui?
Onde fica o topo do mundo? Quero ir ao pico, pois temo procurar o fundo. E se eu cair? E se eu cair? Será que vou ter forças para voltar? Onde fica o topo do mundo? Me diga, me diga que eu vou buscar ganas para ir até lá.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Onde os fracos não têm vez...

     Algumas pessoas dizem que o dinheiro é o mal do mundo. Que o dinheiro é aquilo que faz com que mostremos nossos piores lados, que deixemos de pensar nos outros e sejamos egoístas. Tá, isso é bem bonito e filosófico, dá a sensação de que somos maravilhosos, mas somos corrompidos por um vilão impiedoso e que se esse vilão absurdo não existisse, tudo seria lindo. Para mim esse teoria é tão fraca e tão facilmente contraditória e absurda que mal entendo como algumas pessoas podem defendê-la com tanto fervor. Quer dizer... Quem inventou o dinheiro, afinal? Ele caiu do céu? Foi encontrado na terra? Não né, fomos nós, seres humanos que resolvemos colocá-lo para negócio. E depois, quem é que controla o dinheiro? São os anjos? São energias cósmicas? Não também, né... Somos nós. Então vamos mais além...
     Você tem um pedaço de pão na sua mão, o pão, que é um alimento que nos faz tão bem... Se você usa aquele pão para sufocar uma pessoa até a morte, quem é o vilão? Você ou o pão? Porque para mim, sugerir que o dinheiro é o vilão de tudo, é acreditar que se você não tivesse aquele pão, você não ousaria matar a outra pessoa. É simplesmente querer ser simplista alegar que o mal do mundo é um bando de papel cortado que usamos para controlar o que temos ou o que não temos. O dinheiro passou a existir porque foi necessário, porque as trocas pequenas e singulares que estavam sendo feitas nas feiras medievais já não eram mais suficientes, porque as vezes você só tinha trigo, mas precisava comer aveia e o dono da aveia não queria trigo porque o que ele estava precisando mesmo era de mel, que só era trocado numa feira lá longe, mas em compensação o dono do transporte não queria aveia também, e nem trigo.
     O dinheiro foi necessário e continua sendo até hoje. Não é o papel-moeda o culpado e nem o capitalismo, mas nós. Nós somos culpados por não saber lidar com esse objeto que nos permite ter mais coisas. Estamos sempre querendo mais e se a pessoa do nosso lado estiver morrendo, aprendemos a não nos importar desde que nós tenhamos o que queremos. Não é o dinheiro que nos corrói, mas nós que corrompemos tudo e todos. Já dizia Thomas Hobbes: "O Homem é o lobo do Homem" e ele está certíssimo, quem vai dizer que não? Ele lá atrás percebeu que era o homem quem fazia todas as besteiras e que corrompia um ao outro, foi ele quem disse que precisamos ser podados, precisamos ser regidos por leis para que não façamos coisas grotescas. Tá aí, temos as leis, temos os governos. Na teoria TUDO é controlado por um outro órgão e funcionaria perfeitamente se nós, mais uma vez, não estivéssemos errando.
     Acho que nós erramos, MUITO, em não fazer nada. E depois erramos mais um pouco em não pensar. Porque quando alguém se movimenta, se você observar bem vai perceber que nem ela sabe o motivo de estar se movimentando. Eu vejo tanto isso que dá náuseas. Me diz, para que existe o seu cérebro, afinal?

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